O Que Foi a Nouvelle Vague?

O movimento artístico conhecido como Nouvelle vague (Nova onda) foi uma proposta de nova estética para o cinema criada na França como uma forma de protestar e reagir contra as superproduções de Hollywood. Apesar de ser ter ganhado força na década de 60 o nome do movimento foi-lhe dado em 1958 por Françoise Giroud na revista L’Express quando se referiu aos novos cineastas da França.

No começo os filmes da Nouvelle vague não contavam com muito investimento e se caracterizavam por seus autores bastante jovens. Um movimento que começou se apoiando muito mais na vontade de ir contra a indústria criada e estabelecida pelos norte-americanos do que propriamente em capital para produção dos filmes.

Como Nasceu a Nouvelle Vague

Antes da decadência francesa, causada pela sua participação na Segunda Guerra Mundial, o realismo poético francês era a escola cinematográfica dominante. Trata-se de um movimento em que o roteirista tinha grande importância ao contrário da figura do diretor que não era visto como uma parte fundamental do processo.

Esse era o conceito do cinema de autor que foi muito forte na França até o começo dos anos 1930. O filme que podemos dizer que inaugura esse movimento é o Nas Garras do Vício (Le Beau Serge) dirigido por Claude Chabrol.

No decorrer do desenvolvimento da Nouvelle Vague, após o declínio gerado pela guerra, outros filmes com essa proposta foram feitos e até hoje são considerados clássicos como O Acossado (A Bout de Souffle, 1959) e Alphaville (1965), que são de Jean-Luc Godard além de Os Incompreendidos (Les Quatre Cents Coups, 1959) de François Truffaut.

Os Principais Cineastas da Nouvelle Vague

François Truffaut (1932-1984)

Junto com Godard, Truffaut, é tido como o principal nome da Nouvelle Vague. Dentre as suas obras mais importantes no movimento estão Os Incompreendidos (1959), Jules e Jim (1961) e Homem que Amava as Mulheres (1977). A vida de Truffaut não foi fácil, pois sua infância foi cheia de problemas e quando adolescente passou a ser protegido por Bazin.

Quando chegou aos 25 anos já havia assistido a mais de 3 mil filmes, essa vasta bagagem lhe foi muito útil já que logo com o seu primeiro filme Os Incompreendidos foi contemplado como vencedor no Festival de Cannes. Outro importante prêmio de sua carreira foi o Oscar de melhor filme estrangeiro recebido em 1974 pelo longa “A Noite Americana”.

Jean-Luc Godard (1930)

Godard é uma referência como cineasta até hoje isso porque produziu bastante e trouxe propostas realmente novas. Dentre os seus principais filmes estão O Acossado (1960), Uma Mulher É uma Mulher (1961), Alphaville e O Demônio das Onze Horas (1965).

Apesar de ser um dos nomes mais importantes do movimento Nouvelle Vague foi também o responsável pelo fim do mesmo. No ano de 1968 ele teve uma briga com o seu até então amigo Truffaut. Um cineasta que ainda trabalha muito e em seu aniversário de 80 anos lançou o filme Socialismo.

Eric Rohmer (1920-2010)

Embora não tenha sido um dos cineastas de maior destaque do movimento Nouvelle Vague, Eric Rohmer, ganhou projeção na década de 70 sendo bastante apreciado. Em 1958 ele se tornou diretor editorial da Cahiers du Cinéma para substituir Bazin que faleceu aos 40 anos. Alguns dos filmes mais lembrados de Rohmer são O Signo do Leão (1962), O Joelho de Claire (1970) e Pauline na Praia (1983).

Jacques Rivette (1928)

Um dos principais méritos de Jacques Rivette foi ser polêmico ao adaptar uma peça de Diderot, A Religiosa (1966). O longa conta a história da vida de uma freira jovem que era perseguida pelas suas superioras. A história causou tanto escândalo que em alguns países foi censurado. Outros filmes de sucesso de Rivette foram Céline e Julie Vão de Barco (1974) e A Bela Intrigante (1991). Assim como outros cineastas Rivette foi para a TV quando o movimento teve fim.

Claude Chabrol (1930-2010)

Como Chabrol tinha uma herança para custear o seu trabalho foi o primeiro a poder rodar um filme e o fez em 1958, o longa Nas Garras do Vício (1958). No começo da carreira o cineasta tinha sobriedade e bastante suspense em seus filmes.

Durante os anos 60 o cineasta ficou sem produzir por um tempo, retomou em 1968 com A Mulher Infiel (1968). Também tiveram destaque os seus filmes O Açougueiro (1970) e Um Assunto de Mulheres (1988). Obteve grande sucesso após os movimentos estudantis de 1968, na metade da década de 70 foi trabalhar na TV.

O movimento Nouvelle Vague teve muitos autores, ou seja, muitos cineastas que foram considerados como parte dele. Entretanto esses vários nomes acabam enveredando por outros caminhos, alguns se tornaram acadêmicos como foi o caso de Roger Vadim e outros passaram a trabalhar com filmes mais comerciais, o que ia totalmente contra as regras estabelecidas desse movimento. O cineasta Claude Chabrol foi um dos ‘acusados’ de se render ao cinema comercial.

Como Era o Cinema da Nouvelle Vague

As produções da Nouvelle Vague eram feitas com pouco orçamento e em geral financiadas pelos próprios diretores dos longas. Os atores escalados para fazer esses filmes eram pouco conhecidos do público. Uma forma de mostrar a sua oposição aos estúdios de Hollywood era fazer as filmagens nas ruas mesmo.

Em relação ao enredo as histórias tinham muitas idas e vindas ao longo do tempo, dessa forma as narrativas não eram feitas de maneira convencional e cronológica. Os filmes da Nouvelle Vague tinham liberdade estética e por isso eram feitos cortes repentinos e a câmera podia ser colocada em qualquer ângulo ou posicionamento.

Dentre os temas escolhidos por esse movimento de cinema estavam assuntos do dia a dia e também que eram tabu. Em geral os personagens que ganhavam mais destaque eram aqueles marginalizados como adúlteros, criminosos entre outros. O roteiro desses filmes é feito com muita liberdade.

O Legado da Nouvelle Vague

O movimento da Nouvelle Vague influenciou o cinema mundial como um todo e até mesmo em Hollywood (que era a que o movimento fazia oposição) teve a sua influência. Os idealizadores da “Nova Hollywood como Francis Ford Coppola, George Lucas, Martin Scorsese entre outros beberam nessa fonte de inspiração. O mais curioso é que boa parte dos autores que fizeram parte da Nouvelle Vague se reuniam para discutir a respeito dos filmes americanos para poder pensar como fazer uma oposição com o seu trabalho.

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Categoria(s) do artigo:
Filmes

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