Tipos de Deficiências Motoras

Entende-se como deficiência a disfunção ou escassez de alguma estrutura de um indivíduo, seja ela de caráter fisiológico, mental ou anatômico. Entre inúmeros tipos de deficiências, a que será abordada hoje é a de natureza motora.

A deficiência motora diz respeito a toda anomalia ou problema que prejudica a motricidade de um indivíduo, seja ela adquirida ou congênita (aquela que é presente desde o nascimento). Além disso, esse tipo de deficiência pode também ser transitória ou permanente e evolutiva ou não, dependendo de sua gravidade e intensidade.

Considera-se deficiente motor, todo indivíduo que possua deficiência motora de grau permanente, nos membros superiores e/ou inferiores, de nível superior a 60%, segundo a lei nº 341/93 de 30 de Setembro. Esse nível é regido pela Tabela Nacional de Incapacidades.

Existem diversas possíveis causas para esse tipo de disformidade, como lesões no Sistema Nervoso Central, que também são conhecidas como lesões neurológicas; nos grupos musculares – as chamadas neuromusculares –. As que decorrem de alterações nas estruturas ósseas, que são as lesões ortopédicas e ainda as originadas propriamente da má-formação, que como foram citadas acima, são as de cunho congênito.

Além da interferência à mobilidade das pessoas que convivem com esse tipo de deficiência, que abrangem dificuldades em movimentos específicos, ou na desenvoltura de alguns reflexos ou reações motoras involuntárias, outras áreas também podem ser afetadas, como por exemplo, problemas relacionados a dificuldades na fala e no mal desenvolvimento das articulações e da estrutura óssea.

Deficiências motoras transitórias são aquelas temporárias e que geralmente se originam de traumatismos, em grande maioria os traumatismos cranianos, que muitas vezes são consequências de acidentes em que há o choque traumático do crânio.

Já as deficiências motoras permanentes são aquelas definitivas, em que podem ser enfatizadas as paralisias. Essas paralisias podem ser frutos de lesões cerebrais ou de lesões da medula óssea, além da possibilidade de doenças congênitas, que muitas vezes também podem ser evolutivas.

Em geral, quando a deficiência motora é ocasionada por esses tipos de acidentes e lesões traumáticas, existe uma grande resistência emocional e dificuldade de aceitação, tanto da nova condição, quanto da necessidade de possíveis tratamentos, que partem da própria pessoa que se encontra nessa situação, devido ao receio a respeito da dificuldade de adaptação e ao possível alvo de preconceitos que a pessoa pode se tornar, já que esse é um fato muito presente na nossa sociedade.

Existem termos técnicos que designam cada tipo de deficiência motora e alguns deles serão apresentados a seguir:

  • Monoplegia: É a perda total das funções motoras de um único membro do corpo, podendo ser superior ou inferior;
  • Paraplegia: Perda total das funções motoras dos membros inferiores;
  • Tetraplegia: Perda total das funções motoras dos membros superiores e inferiores;
  • Triplegia: Perda total das funções motoras de três membros do corpo;
  • Hemiplegia: Perda total das funções motoras de um lado do corpo, seja ele o direito ou o esquerdo;
  • Amputação: Falta de um membro do corpo;
  • Paralisia cerebral: Lesão de certa área do Sistema Nervoso Central, que como consequência acarreta alterações psicomotoras, podendo ou não ocasionar conjuntamente deficiências mentais.

Na definição desses termos acima, entende-se “funções motoras” como capacidade de movimentação e sensibilidade de certo membro do corpo, em que informações são passadas do sistema nervoso central para os músculos, de acordo com informações enviadas pelo cérebro.

Sabe-se que em geral, toda pessoa portadora de qualquer tipo de deficiência, enfrenta inúmeras dificuldades, sejam elas a respeito da vivência em sociedade durante o seu dia-a-dia, como na busca pela educação e inserção no mercado de trabalho, e com pessoas portadoras de deficiências motoras não é diferente. Muito pelo contrário, muitas vezes nossa sociedade aparenta não estar pronta para lidar com as necessidades dessas pessoas.

A falta de mecanismos que facilitem a acessibilidade desses indivíduos a vias públicas, como praças, escolas e até mesmo no transporte coletivo são provas disso.

Por exemplo, um deficiente motor que é paraplégico e possui necessidades específicas em relação a locomoção, como o uso de cadeira de rodas, necessita de rampas de acesso e elevadores em todos os lugares em que frequenta, além disso também é necessário que hajam banheiros adaptados e que todas as portas sejam grandes o suficiente para que ele passe sem dificuldades e constrangimentos, fazendo assim com que seja minimamente possível a sua independência.

Em várias ocasiões e circunstâncias essas necessidades não são atendidas, fazendo com que o bem estar e a autonomia desse indivíduo não sejam completamente assegurados.

Essa falta de acessibilidade, pode fazer com que os deficientes motores se tornem pessoas isoladas e depressivas, principalmente aqueles que desenvolveram essa deficiência de um modo traumático e que tenham dificuldades de aceitação e adaptação. É necessário que se trabalhe a inclusão desses indivíduos de diferentes formas, inclusive facilitando o acesso e a permanência deles em todos os locais, de modo seguro e confortável.

Um outro aspecto de muita importância para aqueles que possuem deficiência motoras é a necessidade de independência. Muitas vezes é extremamente desconfortável para eles, se sentirem vigiados e superprotegidos em todos os momentos. É importante saber dosar esse cuidado e ser sempre sincero e transparente para entender as reais necessidades de cada pessoa, já que cada uma consegue lidar com as suas limitações de formas únicas e particulares.

Ao ajudar uma pessoa que faz uso de cadeira de rodas, por exemplo, antes de qualquer coisa, o ideal é que se pergunte se a pessoa aceita e necessita dessa ajuda. Em caso afirmativo, também é necessário que seja questionado como proceder, pois se a cadeira de rodas for manipulada de maneira errada, a pessoa pode se sentir desconfortável, incomodada e até mesmo constrangida.

Agindo de acordo com essas medidas, tomando certos cuidados, mas acima de tudo, entendendo cada particularidade e dando liberdade para essas pessoas, é gerado um reflexo muito positivo no combate ao preconceito, já que as pessoas que possuem esse tipo de deficiência podem se sentir rejeitadas e preteridas, e quanto mais incluída no meio social e profissional, mais essas barreiras de discriminação são quebradas, já que inclusão é a chave e o grande desafio para superar esses problemas.

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