Democracia e Populismo

O Que é Democracia?

A democracia em tese é uma forma de governo e que todos os cidadãos elegíveis têm participação ogual no desenvolvimento e criação de leis. Esses indivíduos podem exercer o poder de governar por meio do sufrágio universal. Além disso, numa democracia as pessoas têm exercício livre e igual para utilizar as leis a seu favor bem como para se submeter a ela.

A origem da palavra democracia é do grego antigo e significa algo como “governo do povo”. Uma curiosidade é que durante muito tempo a democracia foi um regime feito apenas para uma elite. Durante os séculos XIX e XX foram realizados movimentos para garantir direitos para todos os adultos.

A democracia difere de outros regimes políticos em que o governo é exercido por uma única pessoa ou poucas pessoas detém o poder como numa oligarquia, por exemplo. Entretanto mesmo que em base a democracia seja bem diferente de outros tipos de governo que centralizam o poder na história os dois estilos se confundiram em especial em democracias populistas.

Uma das diferenças da democracia para governos tirânicos é que no primeiro é possível tirar um governante que não esteja agradando do poder sem que haja a necessidade de uma revolução, porém, em alguns casos o governante pode concentrar poderes mudando o estilo de governo e se mantendo a força no cargo.

O que é Populismo?

O termo populismo define um conjunto de ações políticas que tem como único objetivo estabelecer um vínculo entre as massas e um líder carismático sem que seja necessária a intervenção de partidos políticos ou outras instituições. Num contexto populista o povo passa a ser um grupo massificado que se torna o centro de todas as ações políticas que podem ou não ser realizadas através de meios estabelecidos pela democracia representativa.

Populismo no Mundo

Dentre os principais exemplos históricos que temos de populismo podemos citar o populismo russo que se afirmou no final do século XIX e que tinha como objetivo fazer uma transferência do poder político para os camponeses através de uma profunda reforma agrária. Ainda podemos citar o populismo americano que apareceu na mesma época do russo e que tinha como objetivo central incentivar a pequena agricultura com base numa política monetária de expansão.

Populismo no Brasil

Apesar de uma definição que se enquadra em exemplos praticados em todo o mundo, o termo populismo, se tornou um sinônimo de alguns fenômenos políticos que aconteceram por toda a América Latina em especial a partir da década de 1930. A prática do populismo em grande parte dos casos tem ligação com a industrialização, urbanização e também com a dissolução de estruturas de políticas que eram oligárquicas e que mantinham o poder centrado nas mãos de proprietários rurais.

O início do populismo no Brasil tem uma ligação histórica muito importante com a Revolução de 1930 em que foi derrotada a República Velha que tinha como base um regime oligárquico e na qual Getúlio Vargas ascendeu ao poder. Aliás, Vargas é o grande nome do populismo brasileiro isso até o seu suicídio em 1954.

Democracia e Populismo no Brasil

O ano de 1946 foi marcado no Brasil pela sua nova constituição que depois de muito tempo reintroduziu a democracia na política brasileira. As novas leis restauraram o poder de voto para a população e deixaram para trás o autoritarismo imposto pelo Estado Novo. O problema encontrado nesse contexto foi uma falta de orientação política articulada devido a tantas anos em que a figura de Getúlio Vargas reinou.

Nesse período devido a uma carência de organização ideológica o populismo se tornou inerente a nova democracia que começava a ser construída. Com o hábito de entregar o país nas mãos de um líder carismático o povo brasileiro facilmente se deixou levar por políticos que souberam manobrar as massas. O líder populista dessa época além de se mostrar ao lado do povo também erguia a bandeira do desenvolvimento que era o desejo de vários grupos de elite do país.

O Começo do Populismo no Brasil

Observando a história do nosso país é possível perceber que o populismo começou a ensaiar os primeiros passos quando Getúlio Vargas criou os direitos da classe de trabalhadores. Até aquele momento isso era algo inédito e o boa parte do povo brasileiro não soube interpretar essa valorização do trabalhador assalariado como uma ação necessária para o desenvolvimento do país que estava se urbanizando.

Para a grande massa esse gesto havia sacramentado o quanto Vargas estava ao lado dos menos favorecidos, com isso o presidente passou a ser conhecido como “pai dos pobres”. As ações de Vargas no Governo não somente fortalecera a sua carreira política como também justificaram o prolongamento do seu mandato através do Estado Novo ante um falso golpe.

Redemocratização

Vargas tomou a frente no processo de redemocratização do país quando percebeu que não tinha mais como sustentar a sua ditadura do Estado Novo uma vez que estava tão empenhado em lutar ao lado dos Aliados na Segunda Guerra Mundial contra regimes totalitários da Europa. Mais uma atitude que veio a reforçar a imagem populista do político.

Aliás, essa atitude ajudou a determinar a eleição de Eurico Gaspar Dutra (1946 – 1951) e mais conseguiu fazer com que Vargas vencesse as eleições de 1950 sem grande esforço. O “pai dos pobres” retornava ao governo nos braços do povo, porém, uma nova atmosfera política tomava conta do mundo, a Guerra Fria.

Mundo Dividido

Com a divisão clara do mundo entre capitalismo (EUA) e comunismo (URSS) se tornou cada vez mais importante deixar evidente a sua posição. Líderes políticos que se mostravam próximos as classes trabalhadoras e extremamente nacionalistas passaram a despertar a desconfiança daqueles que estavam contra a URSS.

Devido a esse jogo imposto pela Guerra Fria líderes como Vargas apenas fechavam as portas do país para investimentos estrangeiros e foi nesse momento que o populismo viveu sua grande crise. Basicamente existia um entrave entre o desenvolvimento necessário e atender as demandas sociais dos trabalhadores. A pressão sobre Getúlio Vargas foi tanta que em 1954 ele cometeu suicídio.

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Categoria(s) do artigo:
Política

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